quinta-feira

Uma vez disseram-me que era preciso dar dois passos atrás para conseguir andar um passo para a frente. Não entendi bem a mensagem, admito.
Mas a verdade é que é das maiores verdades que alguma vez alguém me contou. Ás vezes a vida prega-te rasteiras e tens que arranjar maneira de sair delas, um relacionamento que não te deixa 100% feliz, uma amizade que só te afunda a cada minuto que estás nela, um trabalho que te esgota a todos os níveis psicológicos, uma família que não te fala, uma casa na qual sentes que apenas o teu quarto é o teu lugar...
Nunca concordei muito com a expressão de que a vida te coloca pedras complicadas de arrastar na tua vida. A verdade é que há sempre solução. 
A verdade é que quando um barco se afunda não há realmente maneira de o deter, mas uma pedra? Uma pedra pequenina conseguimos chuta-la, uma pedra média conseguimos pegar nela e atira-la para o outro lado da estrada e até uma pedra enorme nós conseguimos mover, somos seres-humanos caramba, inventamos gruas e artimanhas para que tudo funcione.
O meu, o nosso subconsciente, consegue fazer com que resulte.
A solução é dar dois passos atrás, cultivar a nossa relação de maneiras apaixonantes, proibir que jovens mentes consigam entrar na nossa (erguer a tua voz), fazer do nosso local de trabalho um santuário onde nós e os nossos colegas se podem rir, dançar e cantar, abrirmos chances a conversa durante o jantar com os nossos pais, deixar a porta do nosso quarto aberta e perceber que não existem demónios la fora, o único demónio que nos impede somos nós mesmos.
Aí, vais perceber que conseguiste, embora teres dado dois passos atrás, avançar um para a frente.
A tua energia define o teu futuro. Eu dei dois passos para trás, mas a verdade, é que aquele alguém tinha toda a razão.

Consegui, dei o meu passo para a frente.

Sonhos dizem eles (digo eu)

Sonhos dizem eles. Sonhos que pensam ser sonhos, pobres que perdem o espirito tão facilmente. Sonhos tão leves como bolhas de sabão, cristalinos e leves, tão facilmente derrotados, apagados
Sonhos dizem eles, dizem ter sonhos criados pelos sonhos, sonhos sonhados sem saber. Formados sem força, animo e dedicação.
Sonhos dizem ser impossiveis, impossivel é o espirito que só sonha em sonhar. Sonhos dizem ser só de crianças, pois a verdade, é que sem sonhos nenhum adulto irá ser capaz de vingar.
Sonhos digo eu, meus queridos sonhos, sonhos que deixaram de ser sonhos quando o espirito for forte o suficiente para acreditar.
Sonhos de hoje, realidades de amanhã, que sejam sonhos toda a vida, pois com sonhos há sempre esperança e esperança é sinal de paz de espírito e de vontade. Sonhos tragam vida, vida à vida sonhada.
Aos sonhos de hoje que trarão os sonhos de amanhã.
Ontem conheci-te. Hoje és meu.
Meu isto é, foste-te tornando pelo caminho, não como um bem adquirido, mas sim como um coração unificado, que de igual modo dividido em dois.
Entre o ontem e o hoje, ganhas-te o meu coração, conquistaste-lo todos os dias de maneira a acender sempre mais a chama que curava o meu pequenino coração. Ontem não era de ninguém a não ser de mim, hoje sou de quatro pessoas, tua, tua, tua e tua. Sou de todos os lados que o teu corpo tem, sou tua do tamanho da minha alma, sou tua fisicamente e psicologicamente. Sou inteiramente tua. E por muito que torpece, o ontem mostrou ao meu hoje, que continuarei a ser sempre tua. Hoje tenho uma alma gémea, ontem chorava por ter desacreditado no amor sincero. Mas isto quer dizer, querido ontem, não aprendi nada contigo. Só desaprendi. Foste tu, meu hoje, que me deste a maior lição, a lição de amar ao próximo, isto é, amar sem desaproveitar. Aproveitar todos os dias e todas as horas, aproveitar aquilo de bom que te é dado.
Não choro mais por ti ontem, descobri que não vales a pena dentro desta viagem. Querido ontem, já lá vão 9 meses e 21 dias que não tenho pensado em ti, tenho um hoje repleto de alegria, amor e carinho. Tenho um hoje pelo qual sei que vale a pena lutar.
Querido hoje, obrigada por teres chegado e me teres abraçado debaixo de ti, obrigada meu hoje, por me teres acolhido com todo o amor que te é possível dar. Obrigada, meu hoje, por me fazeres esquecer aquele antigo querido passado, e me mostrares que é a ti que quero, todos os dias, o mesmo hoje. Agora, momentaneamente, hoje, nesta hora e neste minuto, nas horas seguintes. Amanhã, de manhã, à tarde e à noite. No futuro, para sempre. 

Meu querido e abençoado hoje. 
(Meu querido e abençoado Miguel.)

sábado

As pessoas apunhalam-te. Não pelas costas como se costuma dizer, mas sim bem de frente para ti, no coração, nos pulmões ou mesmo no meio do teu olho esquerdo. Sim, apunhalam-te em sítios que doem, que ferem os teus sentimentos de uma maneira indescritível. Dói e leva o seu tempo a sarar, uma ferida aberta como esta não fecha num piscar de olhos.
Mas pára e pensa por um bocado, só te podem magoar aquelas pessoas as quais tu mais gostas, só tem o poder de jogar com a tua mente aqueles os quais tu mais amas.
Não te retraias no teu mundo, não deixes que esses gestos te tirem o sono de noite. Sorri e levanta a cabeça, não deixes a coroa cair porque a vida continua e se tu não és capaz de a acompanhar, ela vai-te deixar para trás sem dó nem pudor algum.
Agarra-te a algo/alguém, agarra-te àquilo que te faz bem, consciente ou inconscientemente porque quem diz que "o que é nosso volta sempre" está errado, pois a meu ver, o que é realmente nosso nunca parte, nunca vai embora, fica simplesmente connosco. Eu fico feliz, pelo facto de conseguir contar aquilo que é meu pelos meus dedos, ao menos sei que é verdadeiro.

terça-feira

Como que com a alma nua
Eu digo-te o que sinto,
Quebro a rotura
Com o quadro que pinto.
És algo de novo,
Algo de muito bom.
És muito num único todo,
E tudo num só tom.
E agora não partas,
Promete-me que não o fazes.
Eu sei que tu não te fartas,
Pois a felicidade, só tu me a trazes.
Digo que te amo
Com o verdadeiro sentido,
Pois neste poema
Tu és o meu único abrigo.

domingo

Sentes o tempo passar como uma bomba relógio e de igual modo sente-lo como um relógio parado numa determinada hora de tão rápido que os dias passam, e ao mesmo tempo, de maneira a que pareça tudo ter acontecido ontem e como se estivesses aqui, comigo, à uma eternidade de tempo.
Não, não é nenhuma confusão. É certo de que nem eu, nem tu, temos a noção mas é a verdade, contigo é fácil sentir que já estamos juntos à muito tempo mas ao mesmo tempo é também de igual modo, super fácil, pensar que foi ainda ontem ("o que é que somos?").
Mas se amar sem ter a noção é isto que sinto, então eu não me importo de não ter a noção. Não me importo de não dar pelas horas, de bloquear a cada vez que olho para ti, não me importo de sentir um nó no "estôgamo" (com uma vertente positiva), não me importo de dar voltas para tentar explicar algo inexplicável, não me importo de sentir de modo diferente, trocar cores e saltar palavras, não me importo de arrepiar, de sorrir como uma criança feliz, elogiar-te e morder-te.
Mas sabes uma coisa? Não me importo com nada disso, sabe mais do que bem senti-lo.
Sabe bem amar-te, sabe bem amar amar-te, sabe bem a cada minuto que passa, a cada sorriso e a cada suspiro que dou. Trás felicidade, inquietação, trás vergonha e leva embora a frieza.
Se algum estranho me pergunta-se qual teriam sido as melhores recordações de os últimos (grandes) tempos que eu tive, eu consiga defini-lo com uma só palavra, tu, com uma só data, 1309, até com um só sorriso porque na maioria dos dias, és o único a conseguir provoca-los.
Mas que este não seja o único, quero muitos mais, se assim o quiseres também.


1, 1309 ♥

segunda-feira

Não estás sozinho, terás sempre alguém do teu lado. Eu vou ficar do teu lado e acredita, não desistirei. Quando fizer frio e for um dia daqueles em que se fica em casa, eu pego num casaco e saiu a correr se for necessário.
Quando estiver calor, esqueço-me do meu "adereço" e mesmo que todo o mundo fique a saber, o mais importante é nunca te deixar sozinho. Quando estiveres em apuros, ou mesmo sem alguma saída, I'll be by your side. Vou agarrar a tua mão, e prende-la contra o meu peito para poderes sentir que sim, nada foi, é e será falso.
E mesmo quando não houver nenhum sitio para onde ir, e tudo pareça o fim não, eu não vou desistir.
Continua a agarrar a minha mão, forte e persistente, continua a fazer disto algo verdadeiro.
E se a fala te faltar faz um sinal, eu vou compreender mesmo do outro lado do mundo. E no fim, não há nada que possas dizer, nada que possas fazer que me tire de ti. Se alguma porta alguma vez se fechar, não a tranques à chave porque eu vou sempre lutar e defender, há-de haver sempre uma esperança.
Porque eu, vou fazer dito sempre verdadeiro e tenciono estar aqui, sempre para ti.
13

terça-feira

É como voltares a sentir, mesmo depois de teres enfiado todos os teus sentimentos dentro da tua caixinha de pandora e a teres mandado para o mais longínquo recanto do mundo.
É como aprender a escrever de novo, só que desta vez, aprender a amar de novo. Voltar a sentir todas as tuas veias a palpitar de tanto o teu coração bombardear sangue para dentro delas, sentir aquele reconforto calorento dentro de ti. Transformares as outrora larvas, adormecidas no teu estômago, em bonitas borboletas cheias de cor, vida, alegria e inquietação.
É espreitares o relógio em cada cinco minutos à espera que o tempo assim passe mais rápido, o problema é que só acelera quando o tão esperado momento chega, ai sim, o tempo passa a voar.
É voltares a tentar escrever todo um livro, novos capítulos com novas personagens e dares ao teu fim uma boa história, uma boa ilustração que a defina, e viveres cada capitulo, um de cada vez, todos intensamente.
Uma vez disseste-me "contigo, é um dia de cada vez, é isso que vou fazer...", e assim espero, todos os dias possíveis que daí possam advir, com todos os teus defeitos e feitios, todas as tuas qualidades e recantos da tua mente.
Há quem acredite em superstições, passar por de baixo de uma escada, ver uma gato preto a passar à nossa frente, partir um espelho... Há até quem diga que sextas-feira treze sejam dias de azar. Mas quem diria que a teu lado, estas passariam a ser pelo contrário, um dia cheio de sorte?
(e sim, é verdade, eu adoro-te)

É tarde, já me fui deitar.

Se alguma vez um estranho se aproximar e te perguntar se já alguém gostou verdadeiramente de ti podes levantar a cabeça e responder, sem qualquer tipo de dúvida ou receio, que sim.
Que já gostaram mesmo de ti. Que já gostei mesmo de ti.
Gostei, de ti. Aproveita e diz também que não foste capaz de me segurar.
Que permitiste que o tempo me levasse sem sequer teres tido coragem de puxar da tua espada para tentar defender a tua honra, a nossa honra.
Deixaste que os ponteiros do relógio varressem o nosso espaço, consumissem o nosso ar.
Não lutaste. Diz-lhe que, provavelmente, deitaste fora uma oportunidade de seres feliz, não para sempre, porque a eternidade é um conceito inexistente no dicionário da minha, da nossa realidade, mas momentaneamente, agora, hoje.
Podes contar a história de como as tuas incertezas e as tuas meias verdades conseguiram esmigalhar em mil pedaços a última réstia de amor que eu sentia por ti. Explica-lhe, com os detalhes que me deves, a forma como arrancaste os meus sonhos de mim.
Como me fizeste desacreditar em todos os XY que fui encontrando nas estradas do meu caminho. Mostra-lhe como já me fizeste desejar nunca te ter conhecido. Como me roubaste o coração para o usares como abrigo das tuas idas e vindas.
Como o gastaste, secaste. E sim, não te esqueças de mencionar as tuas idas e vindas.
Conta-lhe como me tomaste como garantida. Não prestaste atenção enquanto fui dando passos em frente, pequeninos, mas tantos que se tornaram enormes.
Foste tu quem deixou que assim fosse.
Também não notaste enquanto fui olhando para os lados para não ser atropelada novamente pelos teus homónimos, homógrafos, homófonos.
Por todos aqueles que tal como tu não sabem saborear a certeza do momento. Não reparaste enquanto fui fechando as portas, as janelas, os postigos e todos os buraquinhos que te permitiam voltar sempre que querias.
Não viste, ou não quiseste ver.
Não lutaste, ou não quiseste lutar.
Não te impuseste, não te esforçaste, não (me) quiseste.
Vai, conta-lhe e quando acabares vem-me dizer como correu. Mas hoje não, é tarde e já me fui deitar.

domingo

É quase a mesma coisa que te sentires gelada e sólida que nem uma pedra. Quase, quase o mesmo que perderes os sentidos quando mais precisas de encontrar uma saída ou o mesmo que precisares de uma bússola em tempestade e por azar (ou sorte), por descuido (ou cuidado a mais), teres deixado essa mesma bússola cair ao mar. É quase o mesmo que te sentires a murchar da mesma maneira que as flores o fazem quando se sentem fracas.. Mas é assim que cresces, e é assim que aprendes que as bonitas histórias são portadoras de horríveis capítulos que te fazem chorar. Porque toda a história feliz, tem uma bruxa má, um príncipe encantado, uma princesa que sofre e no fim, acaba tudo por ficar bem.
Lembra-te: sempre que passares por um desses maus capítulos sorri, sorri porque o teu final feliz, perto ou longe, um dia irá chegar. E quando esse chegar vais sorrir de satisfação, por saber que mesmo sendo sofredora e com os olhos inchados, foste também corajosa o suficiente para passar por cima de tudo o que se atravessava à tua frente com um bonito sorriso nos lábios. Não desistas, da mesma maneira que uma larva sofre para passar a borboleta, tu também vais ter que sofrer para passares de menina a mulher, é impossível escapares. E no fim, olha ao espelho e vais reparar "que linda mulher". Acredita em ti, ganha força e segue até ao fim.
Porque sim, tu ÉS forte. (eu sou forte)
Não te enganes. Por muito que penses que és tu quem mandas no teu próprio corpo, enganas-te.
É o teu coração que porta consigo a capacidade de monitorizar cada passo que dás, manda em ti e na tua própria vontade.
O problema consiste no momento em que tu queres escolher o certo mas o coração, este pequeno sacana, parece sempre escolher e optar pelo errado. E para piorar a situação, o errado nunca vem só.
E quando tentas ser tu a comandar o teu corpo, o pequeno sacana já não o deixa. Acomodou-se no seu pequeno cantinho maléfico e ri, ri de felicidade por ter a capacidade de te fazer inchar os olhos em pouco tempo.
A questão está em esqueceres todos os medos, ou de outra forma dizendo, passares por cima de todos eles. Contrariares cada lembrança que durante a noite te vem à cabeça, jogares com elas um jogo psicológico em que tens que ser confiante, tu vais sair vitorioso.
Porque na maioria dos casos, vencer não significa ganhar, a questão está em tentar. Tentares com todas as tuas forças por aquilo que achas valer a pena, e no fim poderes afirmar: eu dei de tudo para resultar.
Eu todos os dias tento, por enumeras razões é certo, mas há sempre alguma à qual demonstramos mais empenho e dedicação, há sempre alguma que te faz sorrir como se o sol se abrisse só para ti. Há sempre alguma, que vale mais a pena do que as outras.
E essa razão, respira como todos os outros seres-vivos.
Essa razão, faz-me pensar que vale a pena deitar para trás um milhão de fantasmas escondidos no meu sótão. Essa mesma razão que me consegue arrancar um sorriso mesmo sem tentar fazê-lo.
E mais uma vez, encontras-te preso na teia a qual receavas. Protegias-te com repelente para não voltares a ser apanhado como uma mosca sem saída nas teias de uma aranha qualquer. Pois bem, não chores, sorri por ter acontecido. Sorri porque finalmente, conseguiste dar uma chance a ti mesmo.
Hoje, eu sorriu com toda a vontade e espontaneidade, mesmo que o amanhã me possa fazer perder esse sorriso. Mas o que importa realmente, é que eu tento, e todos os dias acredito que vale mais do que a pena sentir as tais borboletas na barriga (aquelas que tu já conheces).



quinta-feira

tic-tac, tic-tac ... tic-tac.

Chegaste a um ponto em que tens à tua volta cerca de dez mãos dispostas a darem-te ajuda, a ficarem contigo, sem medo de todas as vezes que terão que tropeçar enquanto estão contigo. Porque eles sabem, eles sabem a confusão em que te tornaste.
Misturas sentimentos, esperas palavras e conversas que sabes que nunca serão proferidas, anseias por um sinal que te faça seguir em frente, por uma voz que te convença de que está tudo bem. Esperas pelo amanhã como um novo dia, aguardas um sol que te aqueça fisicamente mas essencialmente, que te aqueça o coração.
Esperas, esperas e esperas, tanto esperas que desesperas.
Ouves o tic-tac do relógio a cada minuto que permaneces em casa, escutas a tua própria respiração com tanta atenção que chegas até a decorar em quantos segundos ela costuma intervalar normalmente, o batimento do teu coração chega até a fazer-te confusão. Chegaste a um ponto em que prestas atenção a tudo, mas ao mesmo tempo não prestas atenção a nada.
Tu queres prestar atenção a tudo para fugir aquilo que é a rotina dos teus pensamentos, queres sair da tua zona de conforto mental quando sabes que esta mesma zona já não é mais de conforto, mas sim de inquietação. Mas quanto mais procuras por uma fissura na janela que se encontra ao teu lado, quanto mais procuras por uma porta semi-aberta, mais sentes a vontade que tens de escapar.
É exactamente a mesma coisa no que se trata a escapatórias mentais, quanto mais tentas esquecer alguma coisa, mais a lembras na medida em que, cada vez que tentas arranjar uma solução e pensas ter conseguido finalmente atingir o teu objectivo, mais te recordas o porque de a teres procurado. E aí? Aí vais saber que te estás a enganar a ti mesmo porque não é a fugir dos teus problemas que vais abrir caminhos para a frente, só os vais fechar cada vez mais.

sexta-feira

Tens o jogo todo apresentado à tua frente, sabes que já o viste em algum lado mas não percebes bem de onde é que o reconheces. As peças, cada uma em sua posição. As cores ordenadas como um arco-íris, uma estrutura extremamente posicionada de igual modo cada vez que o inicias (o jogo).
O erro é saberes que já o jogaste, mas não te lembrares como ele termina. Mexes a primeira peça mal e raramente consegues voltar à estabilidade que te era de inicio proporcionada, basta uma jogada para o teu adversário te passar à frente, e sem cuidado, te comer todas as peças.
Cuidado, pois às vezes aquela que parece ser a melhor jogada pode vir a ser o fim de todos os teus sonhos. A armadura que julgavas ter construído em outrora parece agora não adiantar de nada, as peças que foram necessárias mover e as lágrimas que engoliste e tentaste transformar em sorrisos, os nós que obrigaste o teu estômago a dar, e a maneira como tiveste que forçar o teu coração a pensar da mesma maneira que o teu cérebro  nada disso adiantou.
O ser-humano vive à base de rotinas, vive sem pensar duas vezes antes de agir, e poucos são aqueles que ousam inovar. Deixa a tua rotina, faz do jogo que é a vida um carrossel animado. Dá espaço às pessoas para entrarem na tua vida mas calma: tem cuidado com aquelas que deixas realmente entrar nela.

sábado

Não lamentes pelo hoje, faz pelo amanhã.

Não controlas a tua vida de uma maneira exacta, tens altos e baixos mas não te aflijas, isso faz parte de viver. Nesta vida o difícil não é morrer, difícil é a jornada a qual tens que percorrer enquanto tentas viver, viver também não é complicado, saber viver é sim a questão do problema.
Tens alturas em que dás por ti a fraquejar, olhas para trás e sem te aperceberes tocas em feridas mal saradas, em buracos numa parede que ficaram por tapar, através dos quais te criticas, ganhas insegurança e através dos quais te permites a ti mesmo descer a montanha que até agora tinhas escalado.
Porque é essencialmente disso que se trata, travares uma luta de consciente vs inconsciente, tentares ser mais forte do que os teus próprios instintos humanos que te foram atribuídos no momento em que te começaste a formar enquanto cidadão. Não é por acontecer algo mau que tens que voltar atrás, que tens que descer a montanha que outrora conseguiste escalar. Pára a meio, conta até dez, reflecte e respira fundo. Põe a mão na consciência e pensa comigo: queres perder toda a jornada que conseguiste percorrer até agora?? Não. 
Segue em frente, anda à volta pelas montanhas mas arranja uma maneira de a conseguires continuar a subir, a questão não está em falhar, está em tentar e voltar a tentar se assim for necessário. Não é uma conversa doce, assim como o teu percurso não o será. Estás na flor da idade, se pensas que vives mal espera por mais uns quinze aninhos, as obstáculos que até aqui encontraste vão-se tornar em severas tempestades em alto mar, remoinhos que se vão formar com o ar e muitos, muitos jogos perdidos. E ao pensar nisso? Sentes crescer alguma necessidade de desistir? Aniquila-a. Ama-te a ti mesmo acima de tudo, antes de amares outra pessoa.
Vais ter desgostos amorosos com toda a certeza, em que o coração vai parecer ocupar o lugar dos teus pulmões, vai-te tentar retirar o ar ao mesmo tempo que irrita o teu nariz vermelho de tanto pingar. Vais ter vontade de desistir do amor, vais ter vontade de comer, de te refugiares e de ficar em casa. Não queres que ninguém veja os teus olhos. Talvez tenhas desgostos financeiros os quais te tragam problemas familiares, quereres por comida nos pratos para o teu filho e possivelmente precisares de ajuda para o fazer. Vais ter discussões com as pessoas que mais amas, vais ver entrar e sair muitas pessoas da tua vida porque é sempre assim: tudo o que entra, eventualmente um dia terá que sair.
Podes ter sorte de ter apenas uma gripe anualmente, mas há a possibilidade de aparecerem quaisquer tipos de doenças graves as quais nunca tinhas sequer ponderado o que significavam.
Vais ter certamente obstáculos. Mas vais escalar paredes, vais ficar sem forças, vais aleijar-te se for necessário mas pensa, existe uma solução para tudo.
Nada é impossível, nós (seres-humanos) é que tendemos a complicar de mais as situações fáceis. Não lamentes pelo hoje, faz pelo amanhã.

segunda-feira

Não escolhes quem amas, é-te fisicamente e teoricamente impossível definir quem vais amar. Podes querer amar alguém, mas como em tudo na vida, querer não basta.
És apanhado de surpresa quando menos o esperas, dás por ti a pensar nessa pessoa várias vezes ao dia e a pensares que está a crescer uma boa amizade quando no fundo, sabes que é algo mais. O problema aparece no momento em que não te podes enganar mais, és-te visto a aceitar um facto a ti mesmo, não tens como fugir porque aquelas várias vezes ao dia passaram a ser ao acordar e ao deitar.
Ao invés de não poderes escolher quem amas, sabes que podes sempre escolher a maneira como amas a mesma pessoa. Ás vezes somos colocados em situações complicadas em que a única maneira de amar é estando "longe" da pessoa que amamos, é esconder o que sentes ou mesmo afastares-te de vez. Não conduzes a tua história até ao final que queres, não controlas cada palavra que queres escrever mas é certo, consegues controlar as entrelinhas, consegues jogar com as palavras que tendem a saltar à tua frente, apanha as que realmente queres e aposta com elas.
Não mandas no jogo, mas podes sempre manipular o jogo.*

quinta-feira

A corda falha, as esperanças voltam

Tu queres fugir, tu sabes que queres fugir. Mas não consegues, tens uma corda a agarrar-te pelo pescoço que te impossibilita de te moveres em frente, de seguires com a tua vida a passos largos. Tu queres e não queres, és tu que prendes essa corda. É o teu subconsciente que o faz.
É impossível querer fugir de uma coisa que desejas tanto, mesmo que penses que queres. Tu não queres, tu convenceste de que queres porque a verdade é que cada vez que estas prestes a rebentar com a corda que te está a segurar, ela parece ganhar mais trela, dá-te mais um metro e tu reconfortas-te. Pensas que podes ficar onde estavas, ganhas vida e esperança, o problema consiste no pequeno facto de que passado uns tempos vais chegar de novo ao fim dessa corda, e vais ter que te forçar de novo a rebenta-la antes que ela te dê mais trela, que tu mesmo te dês mais trela.
Quando deres por ti já estás cansado desde jogo que travas com a tua corda de estimação, mas o teu subconsciente parece continuar a ter mais força do que o teu pensamento consciente, ganha a olhos nus.
O segredo é guardares aquilo que queres numa caixa bem escondida, adormeceres essa caixa e não a voltares a acordar sem teres realmente a certeza que conseguiste soltar-te da corda.
Cuidado, a corda engana-te. Hoje pareces decidido a deixar a corda para trás, ganhas-te uma tesoura e com ela força de seguir em frente sem aquele que já é o teu adereço mais habitual, mas amanhã essa mesma tesoura pode falhar e com ela a força também falha. Ou digamos antes que as esperanças voltam.
Quando gostas de alguém, é isto que acontece. Tu queres mas convences-te de que não queres, e quando pareces determinado a não querer de vez, há sempre uma corda (ou antes um pequeno fio) que te puxa atrás e te faz voltar a querer. Nem todos somos fortes o suficiente para enfrentar essa corda à primeira.

terça-feira

Nunca és ou estás 100% feliz. Porque é disso que se trata viver: tentar encontrar o estado pleno de felicidade. Mesmo que não o percebas, é isso que fazes indirectamente. Procuras o parceiro ideal, o ambiente escolar e familiar indicado, procuras comer aquilo que te agrada. Procuras sempre aquilo que te faça um bocadinho mais feliz, aparentemente.
O problema consiste nas escolhas que fazes para obter a tua felicidade, que por muitas vezes demonstram não ser as mais indicadas. Mas não te chateies, a plena felicidade? Nunca a vais conseguir adquirir.
Se conseguisses, que sentido teria estares vivo com certas necessidades? O certo é que vai haver sempre pelo menos uma mínima coisa que te vai tentar estragar o esquema: família, escola, amigos, um casaco que se estraga, uma pessoa, um objecto, e até mesmo a pessoa de quem gostas ...
E mais uma vez, não te rales. É a lei pela qual foste feito, faz por ti e pela tua felicidade (ninguém te disse que seria fácil alcança-la) aliás, acho que ninguém consegue alcançar a felicidade a 100% mesmo a longo prazo, só a alcanças quando morres. Quando todas as preocupações parecem desaparecer e perder todo o peso que com elas carregavam, aí atinges o estado máximo de plenitude.
Não a podes obter toda, mas podes garantir que a obtens a 90%, só depende de ti. Não deites fora oportunidades, não percas a chance de dizer que gostas de alguém, de comprar um chocolate ou mesmo de abraçar um amigo.
Quando quiseres beijar alguém, beija. Não penses duas vezes.
E assim vais garantir que pelo menos, tentaste fazer pela felicidade, tentas-te alcança-la com todas as forças e meios que tinhas. Porque acredita que se tu mesmo não fizeres por ti, mais ninguém o fará.

sexta-feira

Todos temos medo do nada, de não ser nada, de não importar e de não ser ninguém. Muito poucos pensam nisso (mas a verdade é que já pensaram), mas é considerada uma igual porção daqueles que todos os dias pensam nisso, todos os dias se questionam e se sujeitam a uma auto-violência provocada pelos seus próprios sentimentos.
Não te esqueças que não te podes comparar a um "nada". Porque na verdade, nada seria igual se tu não existisses. As pessoas que conheceste até hoje, com as quais falaste, tiveste uma relação de amizade, de afecto, de qualquer coisa que seja, essas pessoas não seriam as mesmas sem te ter conhecido. Tens um propósito em estar vivo que significa isso mesmo, estar vivo. Estás cá para ser feliz, e para fazer as outras pessoas felizes. Estás cá para ir a baixo e para fazeres as outras pessoas irem a baixo, tudo tem um propósito e uma razão, tudo te um significado ao qual na maioria das vezes desconhecemos o porquê. Não te tranques no teu canto, ninguém é dono da razão e muito menos do enigmático porquê, agimos sem pensar duas vezes ao julgar ser isso o melhor a fazer.
Fizeste a diferença, e vais continuar a fazer. Marcaste vidas assim tal e qual como outras pessoas marcaram também a tua, é um ciclo incontrolável, e não te esqueças: não culpes ninguém. Porque o ser-humano, mesmo com a melhor das intenções, acaba sempre por magoar alguém. Só tens que aceitar esse facto e aprender a lidar com ele, vais ver que é como aprender a fazer malabarismo: uma vez que o aprendes, nunca mais o esqueces.
Ergue a tua cabeça e esquece o "nada" em que outrora pensaste, não te sujeites a lutar contra uma maré que tu mesmo causaste, só te vais magoar. Espera que a tempestade passe, podes comer pipocas enquanto isso acontece (algumas vão saber a queimado, é certo), mas não evites o inevitável. Ele pode surpreender-te.
Abre um sorriso e rasga o céu quando a tempestade passar, nessa altura vais perceber que valeram a pena as pipocas queimadas que comeste enquanto esperavas que o tormento passasse.

sábado

A diferença, faz toda a diferença.

É aquela diferença que faz toda a diferença. Aquela curiosidade que sentes quando conheces alguém, aquela curiosidade que te dá vontade de a conhecer melhor, cada vez melhor. De saber coisas simples, como eram em pequenos, o nome do meio ou até mesmo o seu maior medo. Essa pequena e "insignificante" diferença, faz toda a diferença.
Acaba por se tornar grande à medida que o tempo passa, vez um dia a passar, de repente são três, quatro, cinco dias, rapidamente passou uma semana e logo  a seguir como que num piscar de olhos dás por ti numa boa aventura, alucinante, com o relógio multiplicado desde a ultima vez que contaste quanto tempo passara desde então. A curiosidade? A curiosidade continua lá, não é como aquelas paixões de verão por as quais quase todos os jovens adolescentes passam em que a curiosidade parece saltitar facilmente, e não passar pelos pequenos detalhes simples, aqueles tais que fazem a diferença. Arrependeste facilmente, apercebeste que te enganaste e que não era aquilo o que realmente querias, perdeste tempo, paciência e possivelmente alguém de valor, alguém que te suscitasse a simples e a verdadeira curiosidade.
Pois bem, aquela que te faz ver as horas constantemente, aquela que te faz correr para o telemóvel cada vez que este mesmo dá sinal de vida, é aquela que faz a diferença. Passas horas a "sobrepensar", a imaginar, reflectir, sonhar e a "curiositar". Não vires as costas a essa curiosidade, costumam trazer com elas grandes oportunidades. Se não trouxer uma oportunidade, não desistas de "curiositar". Sempre ouvi dizer, que as tais borboletas na barriga (que a mim sempre me pareceram mais como que mil e uma formigas após todas elas terem bebido duas ou três bebidas energéticas, a tentarem construir o seu império - formigueiro - sem saberem como, "curiositando" também comigo ao mesmo tempo), que as tais borboletas na barriga eram boas, óptimas até. No fim percebes que a carinha de parva que exibiste ao longo de algum indeterminado tempo valeu a pena, ao menos experimentaste a curiosidade. Experimentaste o desejo de gostar, de querer gostar, de querer saber e por fim, de quer que gostem de ti.
Não troques as saltitantes curiosidades porque como já disse, essas duram um curto prazo de tempo. Experimenta as pequenas e simples curiosidades, que sem dares por elas se multiplicam, somam, dividem e voltam a multiplicar, as tantas já nem as consegues soletrar. Quando chegares a esse ponto, parabéns, caíste na teia da pessoa que te fez ver a diferença entre curiosidades.